Costumamos dizer que Uma Vida Não Tem Preço . Todos temos direito ao melhor tratamento de saúde possível. Mas qual é o melhor tratamento ?  Aquele que prolonga a vida por alguns anos, alguns meses, alguns dias ?  Aquele que faz melhorar ?  O mais caro ? Aquele que o paciente considera aceitável, lógico, suportável, e que está de acordo com seus princípios morais, éticos ou religiosos, invocando aqui o primeiro princípio da Bioética, que é o da Autonomia?  Aquele que o médico considera como o mais eficaz? Aquele que é o mais documentado do ponto de vista científico ? Baseado em trabalhos de dois pensadores, Hélio Schartzmann,  brasileiro, e  Marco Bobbio, médico italiano de Milão, podemos considerar que “o melhor tratamento” há dez anos, hoje já não é mais, tendo sido superado por drogas e procedimentos mais novos e eficazes. O que pode ser “o melhor tratamento” numa comunidade isolada no centro da África, não é o melhor para um hospital especializado do primeiro mundo.

Aquele que pode ser o melhor tratamento para um paciente jovem, pode não ser para um velho. A medicina moderna sofre um bombardeio diário de novos medicamentos.
Nós que vivemos nas Escolas de Medicina sabemos muito bem disso.  A vida humana é imprevisível, assim como é imprevisível a evolução de cada doença. Quanto vale uma
vida humana ? Normalmente dizemos que uma vida não tem preço. Entretanto, alguns governos e empresa de seguro fazem este cálculo o tempo todo. Para o FDA, uma vida vale 77,9 milhões de dólares. Já para outra agencia  ambiental americana, o valor é, 9,1 milhões de dólares. Os Britânicos são mais sovinas: para o governo de Sua Majestade, um súdito sai por 1,6 milhões de libras, segundo estimativa do Departamento de transportes.  Considerando que um britânico tenha uma expectativa de vida de 81 anos, podemos calcular que que o governo atribui a uma hora de existência terrena o valor de 2,24 libras, menos do que o salário mínimo local que é de 6,5 libras por hora.

Para exemplificar, existe uma curva em uma estrada que mereceria uma correção. Ela causa em média duas mortes por ano. Fazendo as contas, concluiu o governo britânico que não vale a pena investir o valor necessário para corrigir o problema.  Embora fiquemos todos indignados com isso, é impossível imaginar o mundo de hoje sem atribuir um valor à vida humana.  Gostemos ou não, estes cálculos existem e podem ser conferidos nas referencias citadas. Podem ser explicitas ou mantidas como um segredo de governo. Pessoalmente continuo achando que “uma vida não tem preço” e que as pessoas encarregadas destes cálculos façam um bom e honesto trabalho.