Trata-se de uma doença frequente que no nosso meio atinge cerca de 20 por cento da população, Na maioria das vezes trata-se de um achado casual que não provoca sintomas, e que por isso não necessita de tratamento. Acomete mais a população do sexo feminino numa faixa etária acima dos 30 anos, mesmo que esteja cada vez mais frequente o seu diagnóstico em pacientes cada vez mais jovens.

O cálculo biliar tem origem e formação a partir dos próprios componentes da bile: lecitina, sais biliares e colesterol. Trata-se de um liquido produzido pelo fígado que serve para eliminar diversas impurezas resultantes do processo digestivo dos alimentos, e para auxiliar na digestão das gorduras. Quando a vesícula biliar não consegue manter a bile como uma solução estável, ocorre a precipitação de um ou mais dos seus componentes, dando origem aos cálculos. Existe um fator hereditário familiar, muito importante que deve ser aqui  considerado.

A patologia biliar pode ser mais bem entendida se  colocada numa perspectiva temporal, iniciando-se com o estudo dos cálculos assintomáticos  e evoluindo para casos de doença  mais complicada, como veremos a seguir.

Cálculo Biliar Assintomático  

São casos em que o paciente foi submetido a um exame de imagem, em geral ecografia, para um estudo do abdômen e aparece, por acaso, cálculos biliares. Perguntado sobre a existência de sintomas que poderiam ser causados pelos cálculos, ele nega. Esse tipo de situação não necessita de intervenção. O paciente deve ser informado a respeito da sua existência, e instruído a respeito de possíveis sinais e sintomas que possam no futuro, aparecerem.

Cólica Biliar

Quadro clínico de dor no quadrante superior do abdômen que pode se irradiar para o epigástrio ou região dorsal, que ocorre após uma refeição, acompanhada ou não de vômitos. Tem uma característica passageira e que pode aliviar pelo vômito ou pelo uso me medicações antiespasmódicas. Este episódio ocorre quando um ou mais cálculos obstruem o ducto cístico, pequeno canal que liga a vesícula biliar ao canal maior, o ducto colédoco. Se não houver tratamento, a Cólica Biliar pode evoluir para um processo inflamatório da parede da Vesícula, dando origem ao quadro seguinte.

Colecistite Aguda

Tem os sintomas inicias como uma cólica biliar só que acrescido de febre, e uma diferença na característica da dor, que passa a ser mais contínua. O paciente se torna mais prostrado e em geral procura um serviço de Emergência.  Se não for tratado, o quadro continuará evoluindo.

Empiema de Vesícula

Trata-se de situação mais grave, quando além dos sinais e sintomas já apresentados, associa-se algum grau de infecção, agravando o quadro de dor e levando o paciente a um estado mais tóxico devido à presença de bactérias no conteúdo da vesícula biliar.

Até aqui, o diagnóstico pode ser feito pela detalhada anamnese (histórico relatado pelo paciente) um exame físico bem feito, e pelo auxílio de ultrassonografia e dosagens laboratoriais.

O tratamento é cirúrgico e somente em alguns casos há necessidade de estabelecer tratamento clinico no sentido de melhor preparar o paciente para a cirurgia.

Desde o inicio da década de 90 o padrão ouro para a cirurgia é a vídeo laparoscopia, e trata-se de remover a vesícula biliar com os cálculos. A simples remoção dos cálculos não tem fundamentação científica e levaria a recorrência da doença.

Situação mais grave ocorre quando há a passagem de um cálculo da Vesícula Biliar para o ducto Colédoco (Via Biliar Principal). Este tema será abordado nos textos futuros.